PF prende ex-presidente do Rioprevidência que investiu R$ 960 milhões dos servidores do Estado em fundos do Banco Master

O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso por agentes da PF (Polícia Federal) e da PRF (Polícia Rodoviária Federal) em Itatiaia, no Sul do Rio de Janeiro. Além de Antunes, foram alvos da operação Eucherio Lerner Rodrigues, ex-diretor de Investimentos; e Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-diretor de Investimento Interino, exonerado em dezembro.
A prisão temporária faz parte da segunda fase da Operação Barco de Papel, que investiga crimes contra o sistema financeiro envolvendo a gestão de recursos da RioPrevidência e faz parte do escopo das investigações do caso Banco Master.
Outros institutos de previdência de estados e municípios, inclusive de São Paulo, também estão sendo investigados. RioPrevidência colocou em risco dinheiro de servidores aposentados do Estado do RJ.
O Rioprevidência, fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões a 235 mil servidores inativos do RJ, aplicou R$ 960 milhões em fundos do grupo liderado pelo Banco Master. O investimento foi realizado ao longo de 2024 e 2025, aproveitando taxas consideradas “mais atrativas” que as oferecidas por concorrentes.
Em maio, o Tribunal de Contas do RJ (TCE-RJ) já havia alertado para “graves irregularidades” aos gestores do fundo. Em outubro, o TCE voltou a criticar os aportes e determinou uma tutela provisória com apensação sobre o Rioprevidência, impedindo-o de fazer novas transações com o Master.
“Chega de decisões sem transparência, chega de colocar em risco a aposentadoria daqueles que colaboraram com a construção deste estado”, declarou o conselheiro Jose Gomes Graciosa.
Como eram feitos os aportes no Master
De acordo com o TCE, o Rioprevidência utilizava o dinheiro arrecadado com descontos em folha para aplicar no mercado financeiro — o que deveria garantir a sustentabilidade do fundo.
O órgão determinou que o Rioprevidência não investisse mais em instrumentos financeiros emitidos, administrados ou geridos pelo conglomerado do Banco Master, nem em outras instituições que não atendessem aos princípios de segurança e prudência financeira.
Em maio, o Tribunal já havia pedido esclarecimentos sobre os investimentos. Desde então, concluiu que houve agravamento das irregularidades.















